sexta-feira, 18 de junho de 2010

Anárquico

Peguem os tambores, suas roupas de festa. Peguem os licores, suas melhores ceroulas. Uma melodia que inaugure romances e seque a fartura de finais infelizes. Peguem as moedas e as caixas de fósforos, vamos invadir uma casa qualquer. Contem as histórias e sorriam felizes, pois esta noite haverá cerimônias de amor. Não quero mais estar morto e além. Quero ser e estar. Peguem seus pares, os olhos mais verdes. Peguem os livros, as botas de chuva e corram ribanceira abaixo como se a liberdade fosse um anjo recém empossado. Comam todas as maçãs, perfaçam os cálculos do que vale cada ponta de choro, cada abraço apertado. Cubram os caminhos com flores e vendam as armas também. Acabou o toque de recolher, venham todos festejar o encontro, as palavras e as linhas de antigamente. Peguem os condões e as poções mágicas. Estiquem os passos e cheguem depressa. A horda é mais guiada quando existe paixão, quando a franqueza está em cuidar. Esta noite não deverá acabar jamais. Mesmo que faça escuro, cantem. Mesmo que aconteçam desgraças ronquem, todo cansaço merece um conforto que o dissolva. Peguem meus ossos e minha matéria e desapareçam com meu ser pedestre. Me espalhem pelos astros e façam o mesmo com ela quando for chegada a hora. Um sopro na imensidão dos olhos dela deverá ser o suficiente para acabar com toda a tristeza do mundo. J.M.N.

Para ler escutando…

3 comentários:

Laise disse...

Passei p matar a saudade e me presentear com tuas sempre bem vindas palavras. Cheiro!

Borealis disse...

Muito boa também a banda. Não conhecia...

Borealis disse...

Melhor: muito bom o cantor!