quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ela é meu esquecimento

Sobre a música My Oblivion - Tindersticks

Ela era minha música, minha escuta mais profunda de mim. Um eco acelerado daquilo que nunca entendi ou pretendi discernir em minhas mil vozes paralelas. Ela é meu esquecimento. Um lugar muito vasto para onde rumo, quando a realidade cobra caro demais o pedágio dos dias. Ela é minha revolta contida. O beijo mais desesperado. Ela resguarda a liberdade dos meus ditos. Ela enfrentou o mundo para correr ao meu lado, aquela distância improvável da eternidade que vetamos no fim. Entre nossos corpos tudo cabe e tudo se multiplica. Ela me adorna com loucura e sedativos, as drogas etéreas que a desfazem em meus braços de abismo, em nossa história tão curta e infinita. Ela era como a coragem de estar nascendo, rompendo a passagem virgem de outra vida saindo de dentro. Ela era a porta do meu sótão. Meu Juiz contestador. A voz altissonante das minhas piores obviedades. Ela era a carne fresca do banquete, o dia proletário de minha riqueza. Ela era, ela é. Mais que presente. Mais que perfeito. O predisposto arcabouço dos conhecimentos inviáveis, demasiado secretos. Ela era a razão das serenatas e da folia das luzes das estrelas nas noites descobertas entre os lençóis de linho. Ela era a própria hora em que eu existia todo. A fotografia não revelada de um sorriso. Ela é mais minha do que eu sou dela e por isso mesmo, sou eu que lhe pertenço. J.M.N

Para ler escutando...

3 comentários:

Anônimo disse...

Nossa!
Que música linda. Triste e comovente. E seu texto!?
Venho ao blog sempre na primeira hora do trabalho, para encontrar coisas assim. Estavamos precisando de um espaço desse tipo.

Continue sempre.

Bjs,

Flávia

Roberta Vale disse...

Não sei porque, mas lembrei de Paulo Leminski ao ler teu texto:

"Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso"


Um abraço,

Beta V.

Anônimo disse...

Voltei mais uma vez para dizer que acho realmente este texto lindo demais.

Bjs,

Flávia