segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ninguém Dorme

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

Nessun Dorma – Giácomo Puccini

O que me resta é o tempo da madrugada desperta que irradia tua lembrança. Como estrelas arrumadas para anunciar o começo do mundo, como nós deitados nos anos mais tranqüilos a pensar na beleza das praias por onde andamos.

O que me refaz e expande é a presença desse cheiro fino e regular que atordoa meu quase sono. É como ter tua pele recém saída do banho bem perto de mim. Acusa-me de algo, para eu poder seguir adiante. Para seguir-me, apenas.

Por todos esses segredos que estão trancados em mim, por eu ter descoberto muito tarde ser mais um fugitivo do passado – perdoa, que perdoar-me é maior que minhas possibilidades. Mas não direi nada mais até a luz acender o mundo novamente.

O que resta é pensar e querer na mais íntima confissão já feita, que seja meu beijo a quebrar o silêncio, que seja o reencontro abundante e completo, aquilo que fará as bases da Terra tremer. Como era comum enquanto éramos unidade, enquanto, à noite, acordávamos juntos. J.M.N.

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