terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu desistiria do fim

Às vezes sangra, às vezes sara, a tua ausência
Sempre tão viva que me dá nos nervos, e paraliso
Falo para sempre ao telefone e meu silêncio denuncia
Uma ânsia de desdizer tudo que disse, trazer para dentro
A tua tristeza como um gole de álcool em chamas
Um estrago, sabor difícil de entender se não nos damos

Cumpre dizer que estava errado, minha dama
Vale lembrar que não estávamos, mas o beijo
Esse condão que surrupiava nossa verdade, talvez mais a minha
Um rufião de abandono dos sentidos, gosto ultimado
Da saudade que sentiríamos, mais cedo ou mais tarde
E quão impressionantes foram nossos últimos beijos de amor

Tão ilhados e desmedidos que transeuntes
Das avenidas largas e sem passado de outras paixões
Nossos vultos iluminados tão somente de esperanças
Calados e cativos do que havíamos sido anteriormente
Catavam estrelas, perdidos na escuridão de uma noite
Indigna, sem olhos e mal cuidada, não era nosso melhor final

E se tudo me voltasse mesmo que em sonho, mais uma vez
Desistiria da liberdade e do vento de então
Para viver a eternidade em um beijo sem fronteiras
Do deserto arquivado no tempo de nossas almas juntas
O tempo próprio de me lembrar complemento
O futuro mesmo de alguém me ter presente em tudo. J.M.N.

Para ler escutando…

3 comentários:

Anônimo disse...

fico encantada com tua capacidade de dizer esses nossos avessos...

Flávia...

David disse...

Muito boa a música :x
a Letra... achei ela simplesmente notável

Anônimo disse...

Belo texto. Belo mesmo.

M.