terça-feira, 8 de setembro de 2009

Aos olhos de quem?

Ontem eu a encontrei. No mesmo lugar em que costumava deixá-la para as atividades noturnas. As luzes muito fortes a desarrumar meus olhos, por um minuto, fizeram a esquina parecer Saigon no meio da insanidade da guerra. Apesar de nunca ter estado lá. Um cheiro de pólvora. Ela se movimentava feito aquilo que eu sabia possível ser ela. Uma dança estranha em meio aos desconhecidos. E o cheiro reatou nossos laços. O gosto sorrateiro daquelas noites. Ela estava lá. Serpenteando na multidão desavisada e eu enxergava seus passos e vislumbrava sua intriga e temia pelos desconhecidos que a encontrassem naquela noite, onde ela, especialmente vestida num tom de níquel e vilania, tornava-se o epicentro dos abalos, o vendaval solto à procura dos céus nublados. Talvez fosse apenas o vício me vencendo e exigindo um destino. Talvez fosse a certeza de sabê-la através do que eu próprio sentia e era. J.M.N

3 comentários:

Anônimo disse...

Suas linhas são boêmias,romancistas descreve os desejos ocultos da alma.
É como Casimiro de Abreu,Ávares de Azevedo...e muito de José de Alencar ao exaltar as paixões fenininas.
Lindo mesmo.

Hellem.

Roberta Vale disse...

Concordo com a Hellem...
Muito feminino e sedutor. É sempre bom ficar por aqui lendo essas linhas tão profundas.

Beijos,

Beta

Anônimo disse...

Nossa que forte.
Certamente colhido em experiências... Ou não?
Um olhar íntimo e penetrante no universo feminino.

M.B.