quarta-feira, 28 de julho de 2010

Perguntas de Ontem XVII

Isolda fez uma pergunta. Calou-me por um tempo. Dava a tarde e não vinha coisa que eu dissesse. Percebi que ainda me prendia. Mordaçava as coisas sequestradas naquele adeus. Foi quando vi que não estou só perguntando recolhido o que invade todas as ânsias, todos os medos e tem o peso de uma verdade inacreditável.

Pergunta de Ontem: o que está preso na [tua] garganta?

14 comentários:

J.Mattos disse...

Eis minha resposta:

Está presa uma farpa. Em todo gole uma pontada. Dor seca e aguda que me desfaz a voz, o ato de pedir para voltar o tempo. Está preso em minha garganta um descrente santo que evoca o nome amor para dizer-me suas tragédias, inconsistências. Penso em libertá-lo. E se não houver outro tipo de indulto, haverá de ser um grito chamando aflitos, beijos dormentes e, por fim, o nome dela.

J.Mattos

Anônimo disse...

Está presa uma sede como que deserto de febres de outrora. Estão presos alguns palavrões de felicidade, e de ódio também. Aviso a todos que essa minha garganta é um cárcere de restos de noites mal dormidas, passeios na chuva em Mosqueiro, lembranças de seios, cabelos e colares baratos. Minha voz presa tem ossos que são quase fósseis de um outono com lírios e flores de ipês. Minha garganta tem arames ligados ao coração. Que assim seja.WDC

Anônimo disse...

A vontade de ter um último beijo... longo e molhado como a chuva de Belém.

Anônimo disse...

essa tua pergunta me lembrou de lygia fagundes telles:

"Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando
sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi
a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago
até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto".

(Verde lagarto amarelo)

O que está preso na minha garganta é quase como isso que ela descreve.

Lis B.

Anônimo disse...

Um longo grito de saudade.

Anônimo disse...

A vontade de dizer que estava enganado em algumas coisas que disse a ela.

Bruno Nelson

Anônimo disse...

Um pedido de "volta pra mim"

Bjs.

Anônimo disse...

a revelação de que não sou nada sem ele. Mesmo nestes tempos de feminismo, de mulheres emancipadas, não tenho vergonha de dizer que meu amor é indispensável para minha existência.

L.

Anônimo disse...

uau. O Blog ficou lindo
To pronta para voltar e responder a estas instigantes questões.

Minha resposta:
Em minha garganta está preso o sopro de vida que um dia eu quis que tivéssemos juntos. Nosso filho não acontecido. Quero ser mãe de um filho dele.

Mel. N.

Anônimo disse...

Saudade... só isso... ou tudo isso!

Anônimo disse...

Saudades...muitas saudades...E a certeza que meu corpo ainda estremece quando penso nele.

Anônimo disse...

Saudades...muitas saudades...E a certeza que meu corpo ainda estremece quando penso nele.

Anônimo disse...

o pedido de um beijo

Isoldinha disse...

Tenho preso na garganta um silêncio de mil anos, angústias de mil vidas.Uma dor que me sufoca (há algo preso aqui que por vezes me faz falar de modo incoerente, reticente...).Na minha garganta moram sonhos abortados, desejos não consumados, beijos não roubados...
Na minha garganta, há um grito que calou.