domingo, 9 de outubro de 2011

Perguntas de Ontem

Que venenos misturastes na minha água? Que feitiçaria engendrastes na escuridão da tua oficina? Depois de ti, estou apartada de mim, dividida ao meio entre o que quero e o que descobristes nas dobras do meu silêncio e da minha raiva. Quantas vezes ainda vou me reconhecer mais nessa figura trágica e desejada com a qual me sondas, que na personagem austera e enfastiada que construí recortando as revistas dos meus pais? Quanto tempo te esperarei banhada e perfumada imaginando que aquele calor te precede? Mesmo sabendo que não virás sem um telefonema meu, e outro teu em seguida. Mesmo sabendo que talvez já não saibas o caminho de retornar, e que é bem provável que já estejas buscando tuas ferramentas pra criar uns desvios no teu amor. Eu te disse que não mais queria ser tua, mas não sendo, parece que deixo de ser eu.WDC

Pergunta de ontem: E quando o que quero não me faz feliz?

4 comentários:

J.Mattos disse...

...Fico esquisito, andando sob a proteção das sombras, escolhendo os lados escuros das ruas para que ninguém me encontre ou reconheça. Fico a contar os elevados por onde os carros desgovernados iniciam acidentes fatais. Morro um pouco mais que o normal, a boca aberta esperando o mundo, mas ele não vem, nem virá. O que sinto, ademais, é um misto de fome perpétua e obrigações. Não para comigo ou para com os outros, não. Mas uma obrigação que me alinha à pretensão de ter essa potência querida de maneira infinita e radical. De modo que isso supere minha paralisia comum, invalide o terror de falhar e prima todos os botões dos sentidos e do desespero. J.M.N.

Isoldinha disse...

Pergunto-me se realmente era isso o que eu queria. Será que esse querer, esse desejo não era ilusão? Eu que não entendo a felicidade sem desejo, não sei ser feliz sem sentir o meu coração saltitar no meu peito. Se o que quero não me faz feliz, ponho uma música na minha alma e choro.

Anônimo disse...

busco a medicina, um pajé, uma vidente mas vivo o que tenho que viver...

Márcia

Anônimo disse...

Essa é muito difícil de responder. Se acontecer de novo eu conto.

Cris