quarta-feira, 29 de julho de 2009

A(o)temporal

"Tempo de tempo ter,
não tempo de tempo dar.
Tempo vivido, não ido,
lido, sentido, vital.
Tempo que tenho tido,
tempo vivo, temporal."

Jamil Damous - Tempo

Àquilo que mais me busca. Àquilo que mais me entrego. Às horas mortas das noites duras e à tua pouca lágrima de desespero. Entrego as escaras de estar só e nulo. Dito, irrestrito, o meu termo neste mundo, e parto. À rosa que alardeia amores. Ao sujo que encontro na página branca. Aos resumos de minha consciência. Ao estúpido que me acompanha. Dispenso as graças desta amargura, em cujas linhas, rateio o pranto. Faturo a boca que me desgraça e o abraço que me desbanca. Sou incompleto por obra e traço. Acobertado por quem me ama. Aos teus verdugos, a noite branca. Aos meus senões, a partitura. E entro em ti como que santo. E sais de mim como que pura. Mas isto, no entanto, é captura. Ao tempo que nos encerra, deixo este canto. J.M.N

2 comentários:

Anônimo disse...

Como dormir em paz depois de ler isso?

Roberta Vale disse...

Lindo!

Muito íntimo e ao mesmo tempo tão aberto. Uma declaração de amor às coisas importantes. Muito bom mesmo.

Bjs.

Beta