sábado, 12 de abril de 2008

à moda de Manoel de Barros, talvez

Da mesma feita que se mistura o barro da parede que abriga uma dezena de bocas, minhas mãos misturam cantos de amor nascente para enredar esculturas e dar vida aos meus sentimentos mais absurdos.

Enquanto reina em mim a solidão divina, tenho o sumo do afazer sossegado, cujo destino é sempre te servir. Sorrir de lado. Abrir uma porta. Fatiar carambolas. Antever tuas tristezas para desfazê-las antes do teu fim. Tudo isso são tarefas das tardes.

Antes quando sonhava com frutas que não haviam no pomar, as perguntas estranhas eram apenas quando, onde e como?

Hoje com teu gosto inscrito e meus sentidos tendo experimentado teu sabor de paraiso, as questões que me abordam são menos suaves: respiro, insisto ou desespero?

Na água, meus pés fazem ondas imensas. Mosntruosas como Krakens antigos. No espaço lanço meu riso completo. Aterriso no escuro da linha. Na teia de aranha me engendro novinho. Uma pupa capturada. Uma criatura recém criada.

Tem gente que enverga o vento da noite para se refrescar do trabalho. Consumam seus dias a usurpar naturezas. E há outras pessoas, tais como você, que simplesmente nos fazem existir.

J.M.N

Um comentário:

SARA disse...

Simples e despretensioso. O blog de vocês é irresistivel! Parabens ao Wagner e ao Neto pela coragem e criatividade de expor seus textos, que eu adoro ler.