domingo, 26 de setembro de 2010

As bodas do poeta

O cálculo estava correto, era hora de nascer. Não houve luz a mais que a do sol. O dia dormiria tranqüilo. Porém ele já estava. Fazendo acordos impensáveis com as palavras. Há tempos nasceu o poeta. Que ainda não se acredita tido. Possível estudante da arte de se encurtar. Como todo grande homem não precisa que lhe digam que é grande. Arauto mesmo de minhas letras mais mortais, apenas as canta no silencio evidente de quem sabe o que se quer dizer com o desejo pela morte. Um mundo inteiro que chama de sabedoria. A sua tem sete anos e parece que já lhe sabe melhor que ele mesmo. O poeta está parido, mas não acabado, não foi consagrado ou escolhido. É poeta por destino de chama que o consome tanto. Poeta, poetinha mais que amigo. Veio ao mundo e põe as roupas de ser amado. Imensamente. Eu não estava lá quando foi nascido o homem, mas estive e sempre estarei quando o poeta reclamar meu silêncio e tiver o que me ensinar. Como esta sua última pérola: uma guerra onde todos parecem estar alistados. Eles sim, poeta, você não. Ainda bem. J.M.N.

3 comentários:

Anônimo disse...

O desejo pela vida é bem melhor!O poeta não precisa morrer, ele é imotal.

Wagner Dias Caldeira disse...

Sim, nasci ontem. Assim como nasci hoje e voltarei a refazer esse caminho amanhã. Não seria esse morrer e nascer a carne do próprio tempo?
Não, não tenho medo da morte, e por isso não tenho medo da vida. E por isso digo "eu te amo" a quem amo sempre que me dá na telha. Esse meu irmão, o Neto, vive ouvindo isso de mim (ele vive me falando também). E por isso os nossos risos e nossas lágrimas são tão copiosas pra quem vê de fora.

Sendo eu um destemido andarilho da vida e da morte, não me apoquenta sussurrar declarações, nem se perguntar se devo dar um abraço ou um afago. Isso, pra quem vive em seus descampados interiores, não seria uma outra face da morte?

J.Mattos disse...

Pois para aprender a morrer, foi necessário viver - Paulo cesar Pinheiro já tinha sintetizado bem.

É isso meu irmão... Enquanto uns pensam que apenas a vida liberta e faz feliz, estamos andando também de braços dados com a inominável.

Flertar entre os dois mundos é mais revelador e rico... Sem dúvidas.

E o poeta???

Só vira eternidade depois que morre... ou quando seus versos dão corpo e graça à morte de um grande amor. Poesia viva, nasce depois de se ter cruzado a fronteira dos mundos ao menos uma vez.

J.Mattos