terça-feira, 24 de agosto de 2010

Iluminar-se

É assim que nos visito. Lugar diverso em minha memória, a tua lembrança. Lugar de vagas e lacunas, tudo quanto falta, tudo quanto ficou sem saber à realidade.

Volto aos lugares em que pesas mais: dias de domingo, espera pela comida, a saída do banho, sempre esperando mais espaço para teus lápis de olho e batons. Nosso passado maquiado de eternidades.

Do mesmo jeito pasmo que me invadias, eu me invado. Agora é coisa minha toda desgraça. Mas também toda alegria. É coisa encontrada minha reticência. Dou-me a quem tiver de dar. Meus sorrisos abrem portos, amansam vendavais. Os meus, especialmente. É como um corsário que volta a casa, entretanto sabe que haverá de partir novamente. Não há mais culpas nisso, tornou-se certo, esperado.

Tem gente que se encontra de verdade. Como eu agora em espelhos. Como ela, ontem de avental, fazendo nosso almoço. Essa tez de realidade me apreende, me deixa surpreso. Sou um fato. Um prego com sombra na parede. De tão bem cravado, suporto agora os futuros.

Pela fresta da porta te vejo banhada de luz. Agora sei que é apenas meu olhar. J.M.N.

Para ler escutando…

2 comentários:

Rebeca disse...

Lindo esse título... lindo escrito. Estou cada vez mais assídua.

Beijos,

Rebeca

Anônimo disse...

lindo isso