terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vidência

Se o mundo acaba, não vai se hoje
Hoje a fronha do universo recebe minha pensa
Sou envergado de passados que eu nem conheço
Mas amor, amor mesmo, tenho montes
Tenho infinidades de letras e líquidos
Palavras para dizer e sentir
Feito que a luz de todos os dias fosse só minha
Sou desse material humano e insatisfeito
Todo comprido de ter rodado em mim mesmo
A dor de nascer, a saudade do que não escolhi
Se o mundo acaba, não vai ser hoje
Que hoje, ao que me lembro do que sonhava
Tem um riso moreno que me enleia
Que me prepara para uns muitos tudos,
Para essa minha alma solitária.

J.M.N.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta

Irmão das coisas fugidias;
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

MEIRELES, Cecília. Motivo