sábado, 31 de janeiro de 2026

Primavera

 Para Leon Moia Caldeira


Nem sei dizer como te vejo desses páramos de onde te enxergo — na distância insegura de uma saudade que eu não sei como explicar. Desde a primeira vez que te vi, na exuberância perdida do teu silêncio, fico a imaginar como eu poderia me conectar, como eu poderia fazer parte daquilo que mais desejas.

Ou, se não for o desejo, daquilo que mais professas, do que mais sustentas, do que transmutas em gesto miúdo, em coisa do dia a dia. Penso em como seria sentar ao teu lado e te dizer coisas que apenas em mim fazem sentido, e ouvir de ti as tuas impressões: sobre o que sou, sobre o que disse, sobre o que a vida poderia ter trazido pra mim e pra ti.

Há, eu sei, um pouco de medo nessa aproximação e mesmo na distância- algo que me parece ao mesmo tempo irreal e necessário. Mas hoje quero apenas celebrar teus anos: essa idade nova que chega trazendo ainda mais beleza e novidade a uma vida que já é tão cheia de universos e de coisas incrivelmente belas.

Que os anos te venham sempre como as rebeliões e rompam qualquer corrente que este mundo de dementes te possa querer impor.

Cantídio